domingo, 27 de abril de 2008

METAMORFOSE AMBULANTE


O Sr. Luís Inácio vem comprovando o que disse quando afirmou que era uma metamorfose ambulante, pois, trata o mesmo tema com duas visões totalmente antagônicas.
O Brasil passou de uma hora para outra, de exemplo a ser seguido pelo mundo, na produção de energia alternativa, a vilão da inflação mundial de alimentos por essa mesma produção. Falácia, tremenda falácia de grupos interessados em não ter o Brasil e os outros paises emergentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), crescendo e ameaçando sua hegemonia no comando do mundo capitalista, sobretudo na relação norte desenvolvido e sul subdesenvolvido.
A produção de alimentos no Brasil vem crescendo, assim como vem crescendo a produção de álcool e açúcar. A fome no mundo não é uma questão de produção, mas sim de distribuição de renda, a fome já existia antes dos biocombustíveis e vai continuar a existir se não houver uma mudança no financiamento subsidiado da produção de alimentos nos EUA e Europa. Lá sim é que os produtores são pagos para não produzir, só produzem de acordo com a vontade do Estado, ou seja, podem ser considerados funcionários públicos indiretos – cadê o capitalismo moderno? Cadê a mão invisível? Cadê o livre mercado?
É fácil comprovar o que estou dizendo, os americanos são os maiores produtores (38,5%), consumidores (32,7%) e exportadores (65,1%) mundiais de milho.
No ano passado, 84 milhões de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio mundial de milho é de cerca de 88 milhões de toneladas. Nos últimos anos, a produção cresceu. Os fazendeiros americanos foram capazes de aumentar a produção tão rapidamente que não só houve milho suficiente para a expansão dos biocombustíveis, mas os EUA ainda exportaram mais, destinaram mais milho à ração de animais e aumentaram ligeiramente seu estoque, bastou o governo americano querer.
O problema é que para aumentar a produção do milho os EUA tiveram de reduzir sua produção de soja e de trigo na mesma proporção. A partir de março do ano passado, há um gargalo de suprimento de soja. A produção de trigo dos EUA e de outros países também caiu. Resultado: os preços dos dois grãos subiram. E o milho, apesar da produção recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra 2007-2008, os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o único, houve seca também.
Se o preço dos alimentos tem subido deve-se atribuir a esses fatores o aumento, portanto aos EUA e não ao Brasil.
Por que a Europa não aceita a Rodada de Doha (da Organização Mundial do Comércio) e pelo menos diminui subsídios aos seus produtores, permitindo que os países do sul tenham condições para brigar por uma fatia do mercado já que os preços não mais seriam baixos artificialmente?
Ai que entra o Luís Inácio, ele tem utilizado esse e outros argumentos válidos para defender o Brasil e o nosso biocombustível, esta fazendo realmente o papel que lhe cabe, defendendo os interesses do país no concorrido mercado mundial. Desta vez esta deixando de lado as prosopopéias etílicas e falando de maneira clara e direta, apesar da besteira da inflação boa, mas deixemos isso pra lá, foi um escorregão.
Mas ... com ele sempre tem um mas, ao mesmo tempo que defende o Brasil lá fora, internamente faz que não vê e até financia o ex-movimento social MST a invadir e destruir plantações, permite que recursos nacionais escorram na enxurrada de ONG´s que “defendem a Amazônia e os índios” preparando a instalação de uma nova nação dentro da nação brasileira, passo para o desmembramento e criação da “Região Amazônica Transnacional” ou “Amazônia Mundial”, “Internacionalização da Amazônia” ou outra coisa qualquer que valha.
Cadê os investimentos em infra-estrutura para o escoamento da produção de grãos. Batemos recordes todo ano na produção e ao mesmo tempo recordes de desperdícios de alimentos que caem pelas estradas esburacadas. Grãos tem seus preços encarecidos por portos atrasados e mal operados. Onde estão os estoques reguladores? Eram utilizados na entressafra e para a regulagem de preços, evitando a especulação, falta logística.
O Luís Inácio é inteligente, pois, ninguém chega aonde ele chegou se não o for, mas deve faltar conhecimento, já que não estudou e acha que livro bom é livro em branco, e humildade para ouvir técnicos concursados, já que só deve ouvir os aloprados em cargo de direção e/ou confiança.
Publicado no jornal O Progresso em 27/04/2008 - Imperatriz MA.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

ATO FALHO

Devido às pressões que vem sofrendo (leia-se dossiê) acho que a mãe do PAC tem cometido alguns atos falhos.
Como sabem ato falho é um equívoco na fala, na memória, em uma atuação física provocada hipoteticamente pelo inconsciente, isto é, através do ato falho o desejo do inconsciente é realizado. Isto explica o fato de que nenhum gesto, pensamento ou palavra acontece acidentalmente. Os atos falhos são diferentes do erro comum, pois estes são resultado da ignorância ou conveniência. Freud evidenciou que o ato falho era como sintoma, constituição de compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido.


















domingo, 6 de abril de 2008

LULA E O 1º DE ABRIL

Todo semana alguns jornais publicam as datas comemorativas da semana em curso, em minha opinião, importante meio de estarmos sempre sendo lembrados de fatos históricos ocorridos, de classes trabalhadoras que são homenageadas, de dias internacionais e nacionais que comemoram fatos importantes ou campanhas, enfim um pequeno quadro, mas muito útil.
Pensando nesse quadro achei que seria de bom grado criarmos um dia específico para homenagearmos nossos presidentes, pelo que sei não há um dia escolhido para nos lembramos deles.
Pegando de 1964 pra cá onde temos o malfadado 31 de março, tivemos o presidente que não assumiu, Tancredo Neves, a data que me lembro dele, e acho que a grande maioria dos brasileiro, é 21 de abril, dia da sua morte, de Tiradentes, da independência, um dia marcado na história do Brasil.
O próximo é Sarney, cujo dia marcante para mim foi o 10 de maio de 1985, dia da Emenda Constitucional que restabeleceu eleições diretas para os municípios considerados como Área de Segurança Nacional, voto dos analfabetos e dos jovens maiores de 16 anos, mas a mais importante medida dessa Emenda foi à convocação de uma nova constituinte, que viria a publicar uma Constituição em 1988.
Depois de Sarney, Fernando Collor e a data poderia ser 16 de março de 1990, dia que O Plano Collor decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes; salários e preços são congelados e todo um pacote enlouqueceu o país, ou 29 de setembro de 1992, dia que a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo de Impeachment do presidente.
Chegada à vez de Itamar e o dia dele têm que ficar marcado com o 1º de julho de 1994, dia que o Real entrou em circulação, assim, talvez lembrem que o Real foi instituído no seu governo.
Governo FHC, apesar de ter ficado oito anos no governo e termos diversas datas a escolher, a mais importante foi o dia 1º de janeiro de 2003, dia da transmissão de cargo de presidente eleito, para presidente eleito, fato poucas vezes ocorrido na história do nosso país.
Finalmente ele o Luis Inácio, o presidente que assumiu criticando o governo FHC, o candidato que finalmente conseguiu realizar o que pregava “Fora FHC”, que combatia o pagamento da dívida externa, que era radicalmente contra a reeleição, que contestou o Proer, que pregou contra a mudança para o regime de governo parlamentarista, pois, isso era “golpe daszelite” para ficar mais tempo no poder, que era contra a Lei de Responsabilidade Fiscal (o PT entrou na justiça contra ela), que ia livrar os trabalhadores do imposto sindical, e tantas outras coisas que num artigo só não cabe.
A ele não cabe outro dia senão o 1º de abril, pois, pagou o FMI, foi reeleito, ofereceu o kwon-how do Proer para o filho Busch, esta tentando a “treeleição”, se vangloria da LRF, livrou o sindicato da prestação de contas, junto ao TCU, do nosso dinheiro do imposto sindical, jura que não sabia de nada do mensalão, que a Dilma é inocente no caso do dossiê, que o filho dele é gênio, por isso ganha tanto dinheiro, que as inaugurações dos inícios de obras (nunca antes na história desse país se viu isso) do PAC não são comícios eleitorais, que o bolsa esmola não é assistencialista e tantas outras coisas que novamente não cabem num só artigo.
Para mim o dia que, para todo o sempre, será lembrado como o dia do governo Lula será 1º de Abril, adivinhem por quê?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

domingo, 23 de março de 2008

UMA COISA É UMA COISA E OUTRA COISA É OUTRA COISA

Cotidianamente nos deparamos com situações que tem mais de um ponto de vista e normalmente esses pontos de vista são diametralmente opostos. Pessoas com pontos de vista totalmente opostos também tem posturas opostas e para distinguirmos esses pontos de vista ou essas pessoas dependemos do nosso poder de observação.
Para testarmos esse poder, proponho ao leitor que atente às características que narrarei a seguir sobre alguém.
Aparência física: Magro, cabelo longo mal aparado e engordurado, barba mal feita, cara de sério, roupas geralmente rotas, sapatos velhos e sujos, usa óculos sempre o modelo mais severo, anda de ônibus, ou se tem carro está sempre sujo, usa aquelas antigas bolsas tira-colo, anda com livros que não lê, até para ir ao banheiro, para se passar por intelectual, e esta sempre de mal com a vida, botando a culpa de seus fracassos nos outros.
Filosofia de vida: Ele nem sempre é filiado a algum partido, mas, mesmo quando tem carteirinha, não contribui financeiramente. Quando exerce algum cargo em comissão ou recebe salário polpudo de uma Fundação ou ONG, às vezes dá uns "cem merréis" para organizar alguma palestra. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Ele é pró-Cuba, embora se defina contra toda e qualquer ditadura. Sua predileção pelo genocídio de Fidel é explicada por “n” razões, mas basicamente são perdoadas as ditaduras que empunhem bandeiras com as cores adequadas. Hitler e Mussolini servem para exemplificar casos de extremismo da direita, mesmo eles tendo dirigido governos com gigantismo estatal e ingerência governamental sobre o mercado. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Um "bom debate" é aquele em que todos concordam e, claro, a concordância seja sobre algo apoiado por seu ideário. No mais, toda opinião contrária é: a) burra; b) alienada; c) imperialista ou d) vendida. Ele aceita opiniões contrárias, desde que não sejam emitidas. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Critica a gestão de FHC pelo fato de ter sido neoliberal e também pela aliança com o PFL, mas apóia Lula, mesmo diante da manutenção da mesmíssima política neoliberal. Sem contar alianças como as que o governo atual firmou com “reservas morais” como Sarney, Collor e Maluf. PFL, não; Maluf, sim.
FHC era um "vendido"; Lula apenas usa os mecanismos necessários para a governabilidade. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Ele é dogmático; não tem convicções, mas sim fé cega. Seu partido de coração não comete erros, seus aliados não cometem erros, seus amigos não cometem erros, nem os amigos dos amigos. "Crimes", então, nem pensar. Sacrilégio! Blasfêmia!
Quando surge alguma notícia negativa a respeito da legenda na qual deposita sua fé, imediatamente considera uma manobra da mídia golpista que não aceita o governo popular. E faz isso tomando cerveja e vendo algum jogo de futebol na TV do boteco. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
O caro amigo leitor é ou conhece alguém assim?
Adaptado do texto - O Esquerdista Médio do blog Imprensa Marrom.

Publicado em O Progresso de 23 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

A PARÁBOLA DA BOLSA

Para entender como funciona o mercado de ações.
Uma vez, num vilarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por $10 cada. Os aldeões sabendo que havia muitos macacos na região foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos à $10 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça.
Aí, o homem anunciou que agora pagaria $20 por cada macaco e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça. Logo, os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para $25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.
O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por $50! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos macacos. Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões:
- Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender por $35 a vocês e quando o homem retornar da cidade, vocês podem vender-lhe por $50 cada.
Os aldeões, espertos, pegaram todas as suas economias e compraram todos os macacos do assistente.
Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente macacos por todos os lados.